domingo, 31 de janeiro de 2010

A História de Lily Braun

Como num romance
O homem de meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom

Ele me comia
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz

E voltou
Me ofereceu um drinque
Me chamou de anjo azul
Minha visão foi desde então
Ficando flou

Como no cinema
Me mandava às vezes
Uma rosa e um poema
Foco de luz
Eu, feito uma gema
Me desmilinguindo toda
Ao som do blues

Abusou do scotch
Disse que meu corpo
Era só dele aquela noite
Eu disse please
Xale no decote
Disparei com as faces
Rubras e febris

E voltou
No derradeiro show
Com dez poemas e um buquê
Eu disse adeus
Já vou com os meus
Numa turnê

Como amar esposa
Disse ele que agora
Só me amava como esposa
Não como star
Me amassou as rosas
Me queimou as fotos
Me beijou no altar

Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz.


Chico Buarque de Holanda


A moça não podia mais suportar o fio da navalha que já perdurara por tanto tempo. Estava nua, pronta, tentava arrancar a última gota do frasco vazio, em vão.
Algo havia mudado, ela confirmou em seus olhos o que antes percebera pelo timbre da sua voz ao telefone. Ela então olhou o retrato e não reconheceu a face antes tão adorada, a fronte que lhe despertara fantasias e planos Shaekspearianos.
O medo a dominou, seria então este, após tantos e doloridos ensaios o desfecho de toda sua ilusão?

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Aquariana do dia 21

Comemoração do aniversário da tia Dani, minha madrinha.














A personalidade de Aquário, é essencialmente contraditória.
É rebelde e conservador, reservado e excêntrico, sereno, nervoso e são totalmente imprevisíveis. Sempre estão revolucionando, inventando novidade Daí que com frequência são estabanados.

Pula a janela já que a porta te é fácil demais.



Certa vez um amigo me disse que eu precisava sofrer e que meu problema era justamente a falta de sofrimento, não entendi as palavras na época assim como continuo sem entendê-las. - Mas então, pergunto eu, já não sofro o bastante com minhas pequenezas de piscina volátil? - Não saberei responder, talvez não seja a hora, ainda.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

De toda pieguice do mundo...





Cá estou eu novamente, juntando os pedaços espalhados pelo vento, restos de mim perdidos pelo tempo e pela distância, restos de nós. A solidão é sempre dificil de aceitar, perder é sempre difícil de aceitar. A paixão é volúvel e o amor escasso.



Tenho medo de viajens, a gente nunca volta a ser o que foi e nem encontra as pessoas do jeito que eram antes da partida.

planos para 2010?

uma iguaaaaaaaaaaaal! haha

domingo, 24 de janeiro de 2010

Acaso é saudade, Senhora?


"Amanhã faz um mês que a Senhora está longe de casa. Primeiros dias, para dizer a verdade, não senti falta, bom chegar tarde, esquecido na conversa de esquina. Não foi ausência por uma semana: o batom ainda no lenço, o prato na mesa por engano, a imagem de relance no espelho.
Com os dias, Senhora, o leite primeira vez coalhou. A notícia de sua perda veio aos poucos: a pilha de jornais ali no chão, ninguém os guardou debaixo da escada. Toda a casa era um corredor deserto, até o canário ficou mudo. Não dar parte de fraco, ah, Senhora, fui beber com os amigos. Uma hora da noite eles se iam. Ficava só, sem o perdão de sua presença, última luz na varanda, a todas as aflições do dia.
Sentia falta da pequena briga pelo sal no tomate — meu jeito de querer bem. Acaso é saudade, Senhora? Às suas violetas, na janela, não lhes poupei água e elas murcham. Não tenho botão na camisa. Calço a meia furada. Que fim levou o saca-rolha? Nenhum de nós sabe, sem a Senhora, conversar com os outros: bocas raivosas mastigando. Venha para casa, Senhora, por favor." (Apelo, Dalton Trevisan)

let's' drink