quarta-feira, 30 de junho de 2010

Mamãe canceriana





Simples e suave coisa,
Suave coisa nenhuma.
Que em mim amadurece.


Gasto passos,
Caminhos, vago
a espera de um Orfeu
que nunca chega...

Orfeu e Eurídice

Na mitologia grega, Orfeu era poeta e músico, filho de Apolo, e da musa Calíope. Era o músico mais talentoso que já viveu. Quando tocava sua lira, os pássaros paravam de voar para escutar e os animais selvagens perdiam o medo. As árvores se curvavam para pegar os sons no vento. Ganhou a lira de Apolo. Alguns dizem que Eagro, rei da Trácia, era seu pai.

Foi um dos cinquenta homens que atenderam ao chamado de Jasão, os argonautas, para buscar o Velocino de Ouro. Acalmava as brigas que aconteciam no navio com sua lira. Durante a viagem de volta, Orfeu salvou os outros tripulantes quando seu canto silenciou as sereias, responsáveis pelos naufrágios de inúmeras embarcações.

Orfeu apaixonou-se por Eurídice e casou-se com ela. Mas Eurídice era tão bonita que, pouco tempo depois do casamento, atraiu um apicultor chamado Aristeu. Quando ela recusou suas atenções, ele a perseguiu. Tentando escapar, ela tropeçou em uma serpente que a picou e a matou. Por causa disso, as ninfas, companheiras de Eurídice, fizeram todas as suas abelhas morrerem.

Orfeu ficou transtornado de tristeza. Levando sua lira, foi até o Mundo dos Mortos, para tentar trazê-la de volta. A canção pungente e emocionada de sua lira convenceu o barqueiro Caronte a levá-lo vivo pelo rio Estige. A canção da lira adormeceu Cérbero, o cão de três cabeças que vigiava os portões. Seu tom carinhoso aliviou os tormentos dos condenados.Encontrou muitos monstros durante sua jornada, e os encantou com seu canto.

Finalmente Orfeu chegou ao trono de Hades. O rei dos mortos ficou irritado ao ver que um vivo tinha entrado em seu domínio, mas a agonia na música de Orfeu o comoveu, e ele chorou lágrimas de ferro. Sua esposa, a deusa Perséfone, implorou-lhe que atendesse o pedido de Orfeu. Assim, Hades atendeu seu desejo. Eurídice poderia voltar com Orfeu ao mundo dos vivos. Mas com uma única condição: que ele não olhasse para ela até que ela, outra vez, estivesse à luz do sol.

Orfeu partiu pela trilha íngreme que levava para fora do escuro reino da morte, tocando músicas de alegria e celebração enquanto caminhava, para guiar a sombra de Eurídice de volta à vida. Ele não olhou nenhuma vez para trás, até atingir a luz do sol. Mas então se virou, para se certificar de que Eurídice o estava seguindo.


Por um momento ele a viu, perto da saída do túnel escuro, perto da vida outra vez. Mas enquanto ele olhava, ela se tornou de novo um fino fantasma (ou em outras versões uma estátua de sal), seu grito final de amor e pena não mais do que um suspiro na brisa que saía do Mundo dos Mortos. Ele a havia perdido para sempre. Em desespero total, Orfeu se tornou amargo. Recusava-se a olhar para qualquer outra mulher, não querendo lembrar-se da perda de sua amada. Posteriormente deu origem ao Orfismo, uma espécie de serviço de aconselhamento; ele ajudava muito os outros com seus conselhos , mas não conseguia resolver seus próprios problemas, até que um dia,furiosas por terem sido desprezadas, um grupo de mulheres selvagens chamadas Mênades caíram sobre ele, frenéticas, atirando dardos. Os dardos de nada valiam contra a música do lirista, mas elas, abafando sua música com gritos, conseguiram atingi-lo e o mataram. Depois despedaçaram seu corpo e jogaram sua cabeça cortada no rio Hebro, e ela flutuou, ainda cantando, "Eurídice! Eurídice!"

Chorando, as nove musas reuniram seus pedaços e os enterraram no monte Olimpo. Dizem que, desde então, os rouxinóis das proximidades cantaram mais docemente que os outros. Pois Orfeu, na morte, se uniu à sua amada Eurídice.

Quanto às Mênades, que tão cruelmente mataram Orfeu, os deuses não lhes concederam a misericórdia da morte. Quando elas bateram os pés na terra, em triunfo, sentiram seus dedos se espicharem e entrarem no solo. Quanto mais tentavam tirá-los, mais profundamente eles se enraizavam. Suas pernas se tornaram madeira pesada, e também seus corpos, até que elas se transformaram em carvalhos silenciosos. E assim permaneceram pelos anos, batidas pelos ventos furiosos que antes se emocionavam ao som da lira de Orfeu, até que por fim seus troncos mortos e vazios caíram ao chão.

Algumas interpretações deste mito, dizem que as pessoas que se dedicam a ajudar os outros, (Psicologia, psiquiatria, assistente social e até mesmo aqueles que fazem muita caridade), são pessoas que reconhecem que sofrem ou sofreram algum problema grave e agora buscam estas áreas tentando evitar que os outros, sofram o que eles sofreram, ou seja, é aquele que cura mas que não consegue se auto curar.Dizem ainda que no fundo essas pessoas estão se auto enganando, pois evitar que os outros sofram, não vai apagar o que eles mesmos sofreram.


texto tirado do site wikipédia

domingo, 27 de junho de 2010

Eu preciso me mostrar.
Não, solidão, hoje não quero me retocar.
Nesse salão de tristeza onde as outras penteiam mágoas,
deixo que as águas invadam meu rosto
Gosto de me ver chorar.
Finjo que estão me vendo...

Eu preciso me mostrar.





- Chico Buarque de Holanda

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Feitiços noturnos



quarta-feira, 23 de junho de 2010




- Sabe a garota do copo de água?
- Sei.
- Se parece distante, talvez seja porque está pensando em alguem.
- Em alguem do quadro?
- Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar, e sentiu que eram parecidos.
- Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguem ausente que criar laços com os que estão presentes.
- Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.
- E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai pôr ordem?


trecho do filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

terça-feira, 22 de junho de 2010





"Dê a todos seus ouvidos, mas a poucos a sua voz."

Will

Recordar: do latim re-cordis, voltar a passar pelo coração.

domingo, 20 de junho de 2010

O amor é uma via de mão única

Paris mergulhou nas fumaças de gás lacrimogênio num processo que foi quase de surpresa. O isolado caso de protesto dos estudantes da Universidade de Nanterre, contra a proibição das visitas masculinas aos dormitórios femininos culminou, num curto mês, em combates urbanos entre população e policiais. Em maio de 1968, as prisões coletivas e as reivindicações sociais já haviam se tornado rotina junto com as bombas de gás lacrimogênio e as barricadas. Enquanto isso, atrás das janelas e das cortinas de uma casa, três jovens estão adormecidos em uma banheira, sob efeito de uma droga nepalense.

Bertolucci nos coloca com ele como voyeurs, e é como entramos no banho dos personagens de The Dreamers. Os cinéfilos Theo (Louis Garrel), Isabelle e Matthew, embora partilhem de muitas idéias daqueles que estão nas ruas, estão envolvidos demais em suas tensões próprias: o dois primeiros, irmãos gêmeos, vivem uma relação de proximidade afetiva que beira, ou extrapola, o sadismo erótico e Matthew (Michael Pitt) é apenas um estudante americano convidado pelos dois a ser hóspede da casa enquanto seus pais viajam para o litoral. Mas o estudante apaixona-se por Isabelle, por uma Eva Green que se tornaria então mítica. O filme de 2003 tem suas possibilidades de interpretação multiplicadas pela profusão de idéias chaves deixadas ao longo do seu caminho e que, sabemos, dizem respeito a muitas portas.


Em um desses momentos-chave, Matthew proclama amar Isabelle, ao que ela responde amá-lo também. Nada demais nesse interstício, mas o americano retruca com pesar: mas eu amo você de verdade. A moça nega veementemente a afirmação de Matthew. É a porta de entrada de uma curiosa reflexão:


Para Matthew, não é cabível que, em resposta à declaração de amor, haja uma que pretenda equivaler-se, principalmente porque a equivalência que há no “amar também” simplesmente não existe. Na verdade, quantas coisas mais práticas e e polidas há que dizer “eu te amo também”? Não que tudo seja cinismos, mas a frase costuma ter lá sua dose dele num movimento natural diante da pressão atmosférica que se forma na entrega dum amor – o que achamos tão grave. É justamente essa relação de pressão e peso que Bertolucci parece querer enfatizar.

Não há réguas capazes de medir abstrações sentimentais como a tristeza, a frustração ou a alegria; são todas coisas pessoais, egoístas e relativas. No Francês, a resposta para a declaração “je taime” não passa pela urgência de igualar seu sentimento ao outro num certo frenesi de que se dissipem logo as preocupações. À um “je taime", segue-se um “moi non plus”, ou seja “eu não mais”/“eu não te amo mais do que você a mim”. É um nivelamento bem diferente. Um que admite os fatos de se ter poder sobre alguém entregue.

Os franceses parecem ter compreendido, ao menos melhor que a América, que toda declaração de amor é uma entrega de mão única; nada faz possível que seja recíproca. O ser declarante diz dos seus sentimentos, teoricamente verdadeiros, e nada pode pedir em troca. Por sua vez, o que ouve a declaração nada pode fazer a respeito para defender-se da fraqueza do outro num argumento bastante parecido com o de um Cristo aniquilado em prol da salvação de seus queridos. Deve ser por isso que tentamos aplacar a questão com o rápido adendo-refrigério do “também”: nada pior que o poder dos humilhados.

Como a dádiva aparece na antropologia - onde todo “presente” entregue exige uma reposição de igual valor – a declaração de amor torna-se um presente impossível de ser reposto. Recebê-la aprisiona aquele que, indefeso, recebe. É assim que Bertolucci, pela voz de Matthew expõe o seu ponto de que a resposta de Isabelle, como tantas nossas, é uma máscara leviana que nega a dádiva exposta pelo outro. O amor correspondido é sempre outro, novo e inédito a nós. Amar é condição ímpar.

Priscilla Santos





Texto extraído di site :http://obviousmag.org

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Surpresinhas de ilusão

sábado, 12 de junho de 2010

São tempos difíceis para os sonhadores.

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índia velha geminiana 09/06



























segunda-feira, 7 de junho de 2010

Lucy In The Sky With Diamonds



Nothing is real!

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sexta-feira, 4 de junho de 2010



quinta-feira, 3 de junho de 2010

"As palavras proferidas pelo coração não tem língua que as articule, retém-nas um nó na garganta e só nos olhos é que se podem ler."

José Saramago
Crise existêncial, das fortes.
Não sou nada, nunca poderei ser nada e ainda recito palavras que não são minhas.
Com o perdão da palavra? que bela merda!