segunda-feira, 31 de maio de 2010
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa
sábado, 29 de maio de 2010
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Você era a mais bonita das cabrochas dessa ala
Você era a favorita onde eu era mestre-sala
Hoje a gente nem se fala mas a festa continua
Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua
Hoje o samba saiu lá lalaiá, procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer
Quando o samba começava você era a mais brilhante
E se a gente se cansava você só seguia a diante
Hoje a gente anda distante do calor do seu gingado
Você só dá chá dançante onde eu não sou convidado
O meu samba assim marcava na cadência os seus passos
O meu sonho se embalava no carinho dos seus braços
Hoje de teimoso eu passo bem em frente ao seu portão
Pra lembrar que sobra espaço no barraco e no cordão
Todo ano eu lhe fazia uma cabrocha de alta classe
De dourado eu lhe vestia pra que o povo admirasse
Eu não sei bem com certeza porque foi que um belo dia
Quem brincava de princesa acostumou na fantasia
Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria
Quero que você me assista na mais fina companhia
Se você sentir saudade por favor não de na vista
Bate palma com vontade
Faz de conta que é turista.
Chico Buarque de Holanda
Você era a favorita onde eu era mestre-sala
Hoje a gente nem se fala mas a festa continua
Suas noites são de gala, nosso samba ainda é na rua
Hoje o samba saiu lá lalaiá, procurando você
Quem te viu, quem te vê
Quem não a conhece não pode mais ver pra crer
Quem jamais esquece não pode reconhecer
Quando o samba começava você era a mais brilhante
E se a gente se cansava você só seguia a diante
Hoje a gente anda distante do calor do seu gingado
Você só dá chá dançante onde eu não sou convidado
O meu samba assim marcava na cadência os seus passos
O meu sonho se embalava no carinho dos seus braços
Hoje de teimoso eu passo bem em frente ao seu portão
Pra lembrar que sobra espaço no barraco e no cordão
Todo ano eu lhe fazia uma cabrocha de alta classe
De dourado eu lhe vestia pra que o povo admirasse
Eu não sei bem com certeza porque foi que um belo dia
Quem brincava de princesa acostumou na fantasia
Hoje eu vou sambar na pista, você vai de galeria
Quero que você me assista na mais fina companhia
Se você sentir saudade por favor não de na vista
Bate palma com vontade
Faz de conta que é turista.
Chico Buarque de Holanda
quinta-feira, 27 de maio de 2010
terça-feira, 25 de maio de 2010
domingo, 23 de maio de 2010
Pisciana convicta
Ao mesmo tempo se odeia e se ama, enlouquecidamente.
Ao mesmo tempo que nem lembra o nome, lembra de todos os momentos, apaixonadamente.
Ao mesmo tempo que acaba com tudo, deseja retomar, frenéticamente.
Ao mesmo tempo surge uma nova paixão que ao mesmo tempo repele, suavemente.
Ao mesmo tempo que nem lembra o nome, lembra de todos os momentos, apaixonadamente.
Ao mesmo tempo que acaba com tudo, deseja retomar, frenéticamente.
Ao mesmo tempo surge uma nova paixão que ao mesmo tempo repele, suavemente.
sábado, 22 de maio de 2010
A palavra
a palavra sempre foi afiada
sempre foi cimitarra
sempre foi adaga
a palavra sempre foi espada
sempre foi peixeira
sempre foi navalha
a palavra sempre foi cortante
sempre foi pontiaguda
sempre foi penetrante
a palavra sempre foi canivete
sempre foi faca
sempre foi gilete
a palavra sempre foi machado
sempre foi facão
sempre foi terçado
a palavra sempre foi punhal
sempre foi estilete
sempre foi letal
eliakin rufino, março de 2007.
a palavra sempre foi afiada
sempre foi cimitarra
sempre foi adaga
a palavra sempre foi espada
sempre foi peixeira
sempre foi navalha
a palavra sempre foi cortante
sempre foi pontiaguda
sempre foi penetrante
a palavra sempre foi canivete
sempre foi faca
sempre foi gilete
a palavra sempre foi machado
sempre foi facão
sempre foi terçado
a palavra sempre foi punhal
sempre foi estilete
sempre foi letal
eliakin rufino, março de 2007.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
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